domingo, 3 de novembro de 2019

SAUDADE IMACULADA


















SAUDADE IMACULADA

Resistiu ao sol, ao vento...
Entre cantos e lamentos, 
Eternizou-se no galho:
Virgem!
Bravura singela,
Delicada vida...
Saudade imaculada de tempos de luz.
Dorme agora,
À espera do renascer,
Sob o véu gélido do tempo.
Dorme agora, 
Silenciosa, inerte...
A leve noiva perfumada, 
No altar da vida abandonada, 
Sozinha e resignada,
De mais um ciclo se despede.
(Wagner Dias)

domingo, 13 de outubro de 2019

A GOTA E O MAR - LANÇAMENTO

A Gota e o Mar, de Wagner Dias e ilustrações de Magela Miranda.



O tempo voa! Em breve, 30 de outubro de 2019, completaremos dois meses do lançamento do nosso livro! As emoções continuam e, a cada dia, chegam novas fotos, novas mensagens de gente de todo o Brasil dividindo conosco as sensações sobre a leitura! 

Estou tentando responder todos os recadinhos de Facebook e Instagram. Com calma conseguirei devolver a todos os leitores o carinho que me têm oferecido. 

Gratidão é a palavra de ordem!  Vocês têm ajudado a levar minhas viagens literárias para a casa de varias crianças. Agradeço infinitamente aos colegas professores que estão adotando, e trabalhando o livro em suas escolas, além de divulgarem entre os seus pares essa historia que nos enche de emoção.  Muito, muito obrigado! 

Compartilho, hoje, com vocês algumas imagens da noite de lançamento do livro, que é uma ode à amizade, à ternura e à imaginação. 

A noite de lançamento foi muito especial, contando com homenagens a professores, reencontro com amigos queridos e sessão de autógrafos. Um sucesso! Mais de 200 exemplares vendidos numa unica noite!

Se você tem interesse em conhecer o livro, ainda é possível adquiri-lo através dos sites da editora
www.chiadobookskids.com
www.flamingoedicoes.com

ou ainda através dos sites de grandes livrarias! A livraria da Travessa tem feito um excelente trabalho! Recomendo-a!
Demora um pouquinho, pois o livro tem vindo de Portugal. Mas ele chega! ;-)

Se quiserem trocar ideias diretamente comigo ou com o ilustrador, sigam-se no Instagram: 

Wagner Dias (autor): @wagnertedi

Magela Miranda (ilustrador): @magelamiranda.arte

Teremos prazer em manter contato com vocês. 
Em breve, surpresas! ;-)

Um grande abraço,
Wagner Dias





sábado, 10 de agosto de 2019

BOOKTRAILLER: A GOTA E O MAR


Meus amigos,


O grupo editorial Chiado, através do selo Chiado Kids, e eu, temos o prazer de lhes apresentar meu livro para crianças, A Gota e o Mar, que acaba de nascer! 

A obra, que conta com aquarelas lindas do artista plástico Magela Miranda, é um convite à imaginação, à poesia e à esperança! A amizade entre dois personagens, ricos em sensibilidade, ajuda a espalhar amor pelo mundo!

Com rimas, poesias, musicalidade e diversas possibilidades de interpretação, a criança terá contato com seus mais profundos sentimentos.

Convido-os a assistir ao booktrailler!
Em breve, divulgarei as datas e locais dos eventos de lançamento. 
O livro já se encontra na pré-venda nas melhores livrarias do Brasil e de Portugal e pode ser facilmente encontrado nos sites da Editora Chiado:

www.chiadokidsbooks.com
www.flamingoedicoes.com

Sigam-nos no Instagram e recebam nossas informações em tempo real! ;-) Aproveitem e deixem suas sugestões, comentários, e opiniões sobre o livro. 

@wagnerdias
@magelamiranda.arte
@movimentomarionete

@chiadogrupoeditorial
@flamingo.edicoes

Um grande abraço meu!
Wagner Dias

quinta-feira, 25 de julho de 2019

HÁ JEITO






Há jeito

(Wagner Dias)

Não há pobreza que limite o sonho
Não há dor que impeça o pensar
Não há silêncio onde habita o desejo
Não falta força a quem decide lutar

Ninguém é tão pouco que nada tenha
Há sempre algo que se possa doar

Sorrisos se doam
Afagos se doam
Perdão se oferece
Amor se distribui

Compaixão nos iguala
Indiferença nos revela
Ressentimento nos crucifica
Ingratidão nos tortura
Ah! Mas a Inveja é quem mata!

Não há miséria mais ácida que a falta de perspectiva
Não há prisão mais segura que o conformismo
Não há beleza mais viva que o descobrir-se
Não há nobreza maior que a humanidade
Não há aprendizado sem erro
Não há experiência sem ensaio
Não há caminho sem volta

Somos interrogações
Nossas vírgulas acalmam a pressa
Parênteses nos alertam
Pontos finais nos limitam
Reticências nos eternizam

E nesse mundo de verso
Seguimos com nossa viola...
E vamos melodiando
Enquanto polimos arestas

Uns copiam refrãos
Outros compõem inéditos versos
Uns cantam a tragédia
Outros vibram a alegria
Uns ralentam compassos
Outros pulsam vida
Há também os que (se)calam

E nessa pauta de idas e vindas
De acordos e desacordos
De subidas e de descidas
Decida-se!

Entende...
Entende a felicidade
Quem descortina o espelho da alma
E percebe que o melhor do mundo,
Ali refletido,
Não é a aparente casca,
Mas o profundo invisível que habita o peito.

O homem grita, vocifera, murmura, ecoa...
Aprende...
Aprende a felicidade quem descobre
Que para os males da língua
"Ajeito".



quinta-feira, 13 de junho de 2019

O OUTRO LADO

O outro lado

Wagner Dias


Aos que correm, atenção: correr é uma tentativa desvairada de unir o ponto um ao ponto dois. Ato de quem tem pressa ou de quem se acostumou a querer ganhar tempo. Trata-se da infame competição em que os atletas se resumem a eles próprios. Trovões em busca de vida. Que vida? Não se espera o sinal, ignora-se o risco do tráfego e as milhões de cenas cotidianas cujo o palco é o paralelepípedo. Toda essa pressa para quê? Antecipar dois, três segundos? Vale realmente a pena?

De um ao outro lado da rua. "É preciso atravessar", ele pensa. "E depressa", ele decide. Os olhos voam da direita à esquerda e um ímpeto indecente o faz avançar. Começa a competição! As pernas passam a ter vida própria. E corre, e voa... Nesse voar desenfreado, deixou de ver as lágrimas de uma transeunte, passou sem notar aquele doce sorriso de criança que o mirou, não ouviu o bom dia ofertado pela vizinha. Sequer viu a vizinha. Só sentia o vento no rosto, o coração agitado, o barulho oco dos calçados tocando o chão. Sequer observou o pavimento. Não viu a moeda perdida, pisou no estrume de cachorro, não se desviou da poça d'água. Corria. Eterno e angustiante aquele momento que não se findava. Precisava ganhar a corrida contra si mesmo. Não tinha hora marcada, não estava doente, não precisava usar o banheiro... não precisava ter pressa. Não se deu conta.

Quatro segundos seria o tempo de travessia. Sem correr faria o trajeto em oito, nove, dez segundos. Não pensava em nada. Queria chegar do outro lado da rua, simplesmente por chegar. Para dizer a si mesmo que havia vencido seus próprios limites. Atleta da ignorância.

Deu-se, então, o fatídico inesperado. Torceu o tornozelo e sentiu uma dor excruciante. Tombou! Um segundo de queda. Um segundo perdido daquela maratona. Viu-se gigante abatido a apenas cinquenta centímetros do seu objetivo: o outro lado da rua. Apoiou as mão no solo no instintivo gesto de proteger o rosto e evitar bater a cabeça. Sentiu a temperatura do chão. Pela primeira vez o tocara com as mãos. Uma percepção surpreendente. Nunca sentira nos pés, protegidos por solas grossas, o calor daquele pavimento. 

Havia algo grudado na palma de sua mão. Tentou se livrar daquele papel sujo e viu que havia, ali,  palavras registradas: "Filho, mamãe te ama. Tem arroz e feijão na geladeira. Você frita um ovo? Vou comprar carne pra janta. Fique com Deus!" Provavelmente aquele era um bilhete de uma mãe trabalhadora, uma operária, diarista, ambulante, professora... uma mulher simples, mas mãe amorosa. Sentiu o amor. Pensou nos bilhetes que poderia ter escrito aos filhos, que mal viu crescer. Hoje, adolescentes. Pensou nas palavras de amor que deixou de dizer, nos possíveis dramas, nas alegrias, nas descobertas dos filhos das quais jamais soube. Em dez segundos, ele leu aquela mensagem de amor. Recebeu para si aquele "mamãe te ama". Não visitava a própria mãe há tempos. Não se importava em telefonar. Pagava a acompanhante e acreditava que tudo estava bem. Não pensou no afeto perdido, nos anos passados, na presença, no abraço. 

Alguém estende as mãos. Um jovem. Poderia ser seu filho. Mãos macias. Lembrou-se de como eram suas próprias mãos quando era jovem, de quantos brinquedos construiu, de quantos desenhos elaborou na calma serena em busca do melhor traço, das melhores cores... Desejava ser engenheiro. E conseguiu! Formou-se e correu a vida toda. Esqueceu de contemplar o mundo. Com um sorriso no rosto, aceitou a ajuda do jovem. Apoiou o joelho para se erguer. Desequilibrou-se devido à dor que persistia. Mancando, chegou ao seu destino. Agradeceu àquele jovem.

Já sentado, no primeiro banco que encontrou, mexeu o pé para um lado, para o outro, na tentativa de colocar, ele mesmo, as articulações no lugar. Percebeu que haviam sido modificadas as imagens do chão da praça, construídas com pedras portuguesas. Era um bonito dia de verão. Havia crianças brincando, acompanhadas por suas babás. Flores! Flores no canteiro central. E tinham um perfume jamais imaginado. Apoiou-se no encosto do banco. Repousou a cabeça. Fechou os olhos. Deixou o calor do sol aquecer toda a musculatura da face. Ouviu Mozart, a mesma melodia que a avó tocava quando era criança. Som melodioso e terno que vinha da loja de discos da esquina. Sentiu cheiro de pipoca e de milho cozido. Iguarias que não degustava há anos. Ouviu a conversa de jovens senhoras que passavam com suas sacolas de compras e reclamavam do preço do tomate. 

Ali, sentado, observando a orquestra movimentada de uma rua de uma grande cidade, pensou no preço da própria vida. Rememorou o momento da travessia, tentou visualizar o percurso realizado, imaginando em detalhes todos os riscos que correra. Poderia ter sido atropelado ou, quem sabe, batido a cabeça. Poderia ter se ferido gravemente, perdido a memória. E quem seria ele sem memória? De que adiantaria ter chegado do outro lado se não saberia para onde ir? Tudo por causa de míseros segundos. Com a dor amenizada, levantou-se. Comprou um sorvete. Observou a delicadeza dos pombos catando migalhas. Olhou, verdadeiramente, para dentro de si mesmo. Enfim, compreendeu que a distância entre duas calçadas é pequena demais para o tamanho da pressa. Entendeu que há um universo de vida nos paralelepípedos. Milagrosamente, constatou que não precisava chegar do outro lado da rua, mas, sim, do outro lado de si mesmo. 

quarta-feira, 12 de junho de 2019

EU SOU PALAVRA




Eu sou palavra
(Wagner Dias)

Atravessa o portal do tempo.
Reveste-se com retalhos de memórias.
Infância...
Lampejos que mesclam realidade e fantasia.
Conta o que foi? Cria o que conta? Acredita no  que recorda?
É livro vivo de corpo página.
Linhas na face, tinta-sangue, narrativa carne.
Tatuagem indelével, brochura de sonhos. 

Criança que foi, festa solitária!
Bolo de barro, medo de boi.
Lendas ao adormecer.
Contos para amanhecer.
Poesia que rompe a tarde.
Anoitecer é verbo...

Dormiu, embalado por ladainhas,
Recitadas por fadas madrinhas. 
Caiu do galho. É fruto maduro.
Por trás das lentes, os olhos.
Redescobre o mundo. 
Redecora, recria, declama.

Pega a pena. Mergulha no mel.
Adoça, pinta, perfuma, escreve, fabula.
Sussurra para as estrelas: pequenos cristais, miçangas, pontos de luz.
Despede-se da casca velha. 
Dos amigos velhos.
Dos velhos amigos.
Dos cacos de brinquedos.

Onde deixou o cavalinho de borracha? 

Apita o trem.
Dá-se a partida.
Fumaça que volta.
Meus pedaços marcam a estrada que fica...
Fragmentos poéticos que temperam a lembrança...
Mas apodrecem.
São devorados por corvos.
Sobrevivem em mim: narrativa que pesa.
Meu diálogo com o menino.

Memórias me habitam.
Será? Foi? É?
Apenas um tempo...
E entre sujeitos, verbos e objetos,
Curo-me,
Salvo-me,
Eternizo-me.

 - Eu sou palavra!



terça-feira, 11 de junho de 2019

CANTO À SIMPLICIDADE


Canto à simplicidade

(Wagner Dias)

Que não nos faltem as flores...
O sussurro do vento...
O cheiro da terra molhada...

Que não nos falte a sensibilidade!

Que eu entenda o que é a força
Ao ver a formiga, minúscula pulsão de vida, 
A carregar suas folhas:
Luta atroz contra o vento...
Contra os pés humanos...
Contra a força das águas da chuva.

Resiliente...
...é o broto que corta a terra.
Árduo esforço para quebrar as amarras da semente.
Broto sonhador...
...não perde a esperança verde de se tornar flor.

Feliz...
...é aquele que percebe as sutilezas,
que compreende a grandeza do mundo em seus detalhes mais íntimos. 
Se sou feliz? Perguntam-me...

Observo as multicores dos grãos de areia,
Aspiro o aroma das flores,
Atento-me ao som da chuva que lava minha vidraça, meu corpo, minha alma.

Não tenho potes de ouro.
Não compro tudo o que quero.
Não tenho a vida que muitos imaginam e desenham.

Outro é meu tesouro:
Minhas joias são feitas de pedras tranquilas de consciência...
Meus perfumes são compostos de finas fragrâncias de serenidade...
Alimento-me da virtude de viver o momento.

Tomo um gole d'água.
Champagne dos humildes.
Banho-me de luz de sol.
Visto-me com o manto de estrelas
para o espetáculo da corda bamba da incerta vida.

Falo com bichos,
abraço árvores,
ouço crianças!

Eu vejo meu futuro na tela neblinosa
dos olhos dos pintores privilegiados...
...aqueles que amadureceram.

E na loteria da vida,
Apostei nos milagres cotidianos:
pequenas doses de alegria.
Competi com jogadores experientes.
Milhares!
Ganhei o prêmio! 
Tornei-me um milionário. 
Entendi que estou vivo.