terça-feira, 2 de abril de 2019

O VELHO E O DIABO - E OUTRAS PALAVRAS

O velho e o diabo - e outras palavras, de Rui Costa. Trata-se de uma instigante coletânea de contos, de temáticas diversas, permeados por temas como o amor, a morte, idas e retornos neste universo misterioso que é a vida. 

De leitura ágil e clara, os contos levam o leitor a um processo de criação psicológica que mescla sensações e reflexões. O autor se mostra perspicaz na construção de suas tramas e cria personagens complexos e, ao mesmo tempo, comuns em nosso cotidiano. Talvez seja esta a habilidade mais interessante do processo de construção das tramas: transformar o usual em literatura. Esse é o primeiro aspecto a ser destacado na obra.

Os finais dos contos são outro ponto que eu gostaria de sublinhar: ainda que sejam apontados desfechos, o leitor pode, ao seu modo, construir seus próprios finais. Esse caráter aberto da obra estabelece um diálogo entre autor-leitor que potencializa o processo de leitura. 

Sobre as histórias, estas transitam do campo da individualidade psicológica ao infinito manancial das rotinas em grandes centros urbanos, apresentando sob lentes diversas um olhar sobre o mundo, sobre a a vida em todas as suas formas e sobre as emoções. 

Há contos para todos os gostos, com linguagens diversas e cenários também múltiplos, o que faz da obra uma fonte preciosa de boas leituras. Cada conto possui particularmente condições de ser desenvolvido como romance, tamanha a riqueza de enredo, caracterização dos personagens e possibilidades narrativas. 

Com uma linguagem clara e objetiva, a obra pode ser lida por jovens e adultos. Como um amante de contos e defensor deste estilo narrativo para desenvolvimento da leitura, posso dizer que o autor se apresenta de forma comprometida com uma saudável provocação ao leitor: criar, sentir e refletir.

O livro pode ser encontrado facilmente na Amazon.com.

Recomendo a leitura!
Meus abraços, 
Wagner Dias

sábado, 30 de março de 2019

HEIDI, A MENINA DOS ALPES 1 E 2

Heidi, a menina dos alpes, de Johanna Spyri. A primeira vez que li a história da pequena Heidi, eu ainda me encontrava no 5º ano do ensino fundamental (11, 12 anos de vida). E foi uma alegria, uma descoberta, poder viver as emoções daquele personagem tão puro e que tanto me ensinava. 

Os anos se passaram e eu nunca me esqueci daquele texto puro e poético, repleto de vida, de humanidade, nos seus mais íntimos sentidos. A história de Heidi, passara então a fazer parte das minhas lembranças mais ternas. Heidi 1 e 2 fazem parte dos meus clássicos literários. Porque sou eu quem define o que é um clássico! Kkkk! (Metido, né?). Mas acredito que somos nós quem definimos o que nos é clássico. Não gosto de muita teoria para explicar o que para mim se chama emoção. 

Eu acredito muito na pureza da criança e tenho a absoluta certeza de que a autora dessas histórias buscou suas memórias infantis para compor com tamanha doçura e zelo essas narrativas que há anos vêm encantando crianças, jovens e adultos de todo o mundo!

Sigamos! Reli na última semana os dois volumes. E revivi cada detalhe da obra. Voltei a desejar dormir numa cama de feno e tomar o mais puro leite de cabra dos alpes suíços. Impossível não se encantar com as descrições tão ricas em cores, sons e aromas. Impossível não se apaixonar por Pintassilgo, Pedro das Cabras e Vovó. Impossível não se comover com a pureza e coragem da pequena Heidi que com sua inocência, aprendeu o que é estar no mundo. 

É uma linda história que se divide nos livros 1 e 2. A leitura é rápida, fácil e extremamente agradável. Eu diria que Heidi é uma história inesquecível! Infinita em sua poesia e possibilidades de reflexões e renovação de nossa fé no mundo, nos homens e na força do bem!

É possível encontrar os dois livros em sebos ou em plataformas digitais, no formato e-book.

Recomendadíssimo!
Meus abraços,
Wagner Dias

DE BOIS DEBOUT


De bois debout, de Jean-François Caron. Cheguei a esse livro através de sugestões de amigos. Comprei o exemplar e, devido às obrigações da vida acadêmica, demorei muito para encerrar a leitura, tendo que recomeçar alguns capítulos. 

No início, fiquei meio perdido, tentando reconhecer o modelo de narrativa, de estrutura utilizada para contar a história. "Heim? Vozes? Isso é teatro? É uma tentativa de colocar na obra o coro tradicional da dramaturgia clássica grega?" Depois resolvi não questionar muito e seguir. E, pouco a pouco consegui mergulhar na proposta do autor, na intimidade dos personagens, revelada calmamente e transitando entre presente, passado e emoções. 

É um livro que fala de livros, da relação pai-filho. Contudo, com uma originalidade e uma força expressiva que impactam o leitor. Trata-se de uma literatura rica, que revela os modos de vida do canadense da província do Quebec. 

E entre fios de lágrimas, de dor, de alegria e de amor, desenrola-se um novelo e revela-se o que um buraco feito a bala na cabeça de alguém pode revelar no corpo e na alma. E como sou filho de um pai que também teve a cabeça perfurada por uma bala, imaginem minhas emoções durante a leitura! 

Gosto muito de textos desafiadores. Vejo-os como quebra-cabeças e isso aguça meu desejo de compreensão. Sinto-me meio detetive investigando um crime. E nesse livro isso se faz no nível da consciência e, paradoxalmente, no nível da inconsciência.  

Muito interessante a proposta. Quero conhecer outros livros de Jean-François Caron. 
Provavelmente não há ainda uma tradução da obra para o Português, mas... se você gosta de desafios, ou estuda a língua francesa, está aqui uma boa sugestão. Mas espere o francês falado no Canadá! ;-)

Leitura recomendada!
A vocês, meus abraços.
Wagner Dias

sábado, 23 de fevereiro de 2019

CONTOS DO DIA E DA NOITE

Contos do dia e da noite, de Guy de Maupassant. Uma obra espetacular! Histórias variadas que transitam nos limiares da comédia e do drama, mostrando ao leitor do que é composta a natureza humana e do que ela é capaz. 

Tenho uma predileção por contos. Como professor de literatura, sempre vi nos contos uma possibilidade de introduzir grandes autores na rotina escolar. Como são histórias curtas e ágeis, o aluno, que é também ágil, acaba por se interessar. São vários os relatos que já ouvi de alunos que, a partir de um conto, buscaram os romances de um autor. 

Assim, para quem também é adepto dos contos, essa coletânea tem uma variedade de textos que poderá tocar o leitor em pontos diversos. O autor, inclusive, deixa a critério do leitor, em um dos contos, a possibilidade de escolha do final!

É, sem dúvida um conjunto de textos que mexem com nossa imaginação e nos dão a real noção do que é a boa literatura.
Recomendadíssimo!
A todos, meus abraços!
Wagner Dias

O CORCUNDA DE NOTRE DAME

O Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo. Um clássico da literatura universal, este livro de Victor Hugo é uma viagem no tempo! Suas descrições minimalistas, colocam o leitor em estado pleno de imaginação e cada detalhe da imponente catedral de Notre-Dame, em Paris, pode ser visualizado. 

Com uma narrativa impecável, o autor une personagens e suas histórias particulares a um contexto visceral, harmônico e emocionante! Tudo se encaixa, tudo está perfeitamente arranjado nesse jogo narrativo que nos comove profundamente. 

Essa edição é especial: linda, com comentários, o que aumenta nosso desejo de conhecer a forma peculiar desse gênio da literatura que é Victor Hugo. Apesar de um romance longo, posso dizer que a leitura não é enfadonha. Pelo contrário, somos literalmente fisgados e o desejo de ler as páginas seguintes, se faz a cada frase, a cada parágrafo, a cada nova ação da trama! E haja ação! O leitor não tem tempo de pausa. Os eventos se sucedem com agilidade, dando ao texto a vida de que necessita para que nosso Quasímodo, personagem central da narrativa, seja apresentado em suas minúcias. É um personagem apaixonante! Mas confesso que há uma cabra na história que me encantou demais. Talvez devido ao meu amor pelos animais!

Sem sombra de dúvidas, para quem ama literatura, não é possível passar por este plano terreno sem ter contato com a obra de Victor Hugo.Leiam, O Corcunda de Notre Dame, e permitam-se uma viagem sensacional à França e ao que há de mais profundo no sentimento humano!

Meus abraços, 
Wagner Dias



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

ENCANTAMENTO DE VIVER

Encantamento de Viver, de Lúcia Vasconcelos. O título é sugestivo: o que é o encantamento de viver? O que provoca esse encantamento? Trata-se de algo que está dentro de nós, no mundo, nas coisas, nas pessoas? O que te encanta é o mesmo que me encanta? Por que algumas pessoas dizem não se sentirem encantadas pela vida? Por que outras vivem de modo encantado?

Essas são algumas das reflexões iniciais da obra, repleta de poesias e crônicas construídas com o material mais puro e mais sublime para um autor: a sensibilidade. Não se fala da vida e dos seus encantamentos se não houver sensibilidade para ver o mundo com olhos atentos e lentes diversas. 

Ao ler o livro, minha impressão inicial era que a autora queria nos tocar, fazer com que sentíssemos através de suas letras, exatamente o que sentira ao imaginar, relatar, descrever as passagens tão belas de uma vida. Ela conseguiu! Tive o privilégio de ser um dos primeiros leitores dessa obra que me encantou e, de algum modo, permitiu que eu também mostrasse aos leitores de Vasconcelos, minha forma encantada de viver. A autora me convidou, delicadamente, para fazer o prefácio, o qual redigi nos mesmos termos: sentindo cada palavra, vivenciando cada imagem, colocando-me como responsável por apresentar os encantamentos que me encantaram...

Encantamento de viver é um encanto! Doce, puro, maternal... É como ouvir histórias deitado no colo de mãe, sentindo cheiro de café e de bolo na cozinha! Trata-se daquelas sutilezas que a vida e seu passar ágil tentam nos impedir de perceber. E devemos estar atentos às minúcias: ser feliz, encantado com a vida independe de dinheiro, de posição social, de lugar. Encantar-se com a vida é um estado de espírito. Tem a ver com ser grato! Grato pela alegria, pela dor... afinal, ambas nos compõem! 

Que vocês possam ler e sentir essas sutilezas nas letras de Vasconcelos!
Recomendo a leitura!
A todos, o meu abraço!
Wagner Dias

O ENIGMA DO RETORNO


O enigma do retorno (L'énigme du retour), de Dany Laferrière. Trata-se de uma das leituras mais tocantes dos últimos meses. Laferrière nos leva a refletir sobre o que é pertencer, o que é estar no mundo. Como tenho um histórico meio nômade, pude pensar e me emocionar muito com a narrativa. O que é estar longe de casa, longe de amigos, de familiares? Com são esses reencontros e como nos vemos neles? Como é retornar às origens após desbravar cantos anteriormente desconhecidos? Porque nos exilamos, ou somos exilados? Quais os reais motivos, aqueles que ninguém conhece, a não ser nós mesmos. O que muda, o que se perpetua, como passamos a nos ver e a observar os comportamentos humanos, a cultura, a justiça...


A narrativa é, literalmente, uma viagem feita pelo autor que, de quebra, nos coloca na bagagem e nos permite sentir com ele todas as emoções de um retorno enigmático, o que faz jus ao título. O texto é fluido, mas mantém a velocidade serena, de quem observa, e detalha momentos. Posso dizer que é uma narrativa emocionante,  bem escrita e cumpre com aquilo que chamo de boa leitura: toca nossos corações, profundamente. Não é à toa que Dany Laferrière tem sido evidenciado como um dos mais importantes autores francófonos da atualidade. 

L'énigme du retour é mais que um livro, é uma viagem nos capítulos de uma vida e da nossa própria vida!
Altamente recomendado por mim!
A vocês, meus abraços,
Wagner Dias