sexta-feira, 1 de julho de 2016

APENAS DIFERENTE

Apenas diferente, de Ana Claudia Ramos e ilustrações de Juliane Assis. Este livro foi um presente, dentre tantos outros e ricos livros que me foram ofertados pela passagem do meu aniversário no último 28 de junho! Uma data especial porque cheguei aos 40 anos! 

Quatro décadas de muitas histórias lidas, vividas, contadas e muitas ainda a contar! Um dia sairão da gaveta! 

Bem, quando li  Apenas diferente, eu me identifiquei de imediato com a vida, com os sonhos e conflitos do personagem principal, Nicolau! Por alguns momentos, cheguei a imaginar que minha vida estava sendo ali descrita! Mas ainda não sou tema de livros! Quem sabe um dia? ;-)

A história é linda e toca no que é mais profundo no universo infantil. As emoções, sonhos, anseios das crianças sendo retratadas de modo tão sensível e tão poético que é inevitável a emoção! Trata-se de um livro para todas as idades. 

A narrativa bem construída, com imagens sensoriais lindíssimas, prende a atenção do leitor que passa a viver a história do pequeno Nico! Podemos dizer que, assim como no jargão popular, "tomamos as dores do garoto" e, assim, vamos permitindo nos deixar encontrar nas páginas seguintes as respostas para tantas questões, sejam elas dos personagens ou as nossas. 

A leitura é rápida! Em poucos minutos o livro pode ser lido, relido, contado, recontado...

Vale a pena descobrir o que uma caixa de música, um lápis e tocos de vela podem fazer!

Adorei! Tornou-se um  dos meus clássicos!
Recomendadíssimo!

A todos, meus abraços,

Wagner Dias.

terça-feira, 21 de junho de 2016

POETIZANDO AOS 70...

Poetizando aos 70..., de Lúcia Vasconcelos. Para quem acompanha este blog, não é novidade o fato de que faço aqui um diário das leituras que têm me ancorado e ajudado a controlar a minha ansiedade durante o período de construção da minha tese de doutorado. 

Essas leituras, que fogem completamente do que leio para minha formação profissional, conseguem me colocar em um universo outro. E é neste outro universo que surgem minhas reais questões de vida: o que sou, para que vivo, o que quero da vida, por que a literatura me encanta tanto, para que serve... enfim...

E então eu me deparo com uma obra repleta de vida. Uma coletânea de poemas que provavelmente levaram um bom tempo para serem construídos. Um retrato de vida. Trata-se de ver as palavras desenhando o que a alma produz. E fico pensando: o que eu poetizarei aos 70? Estarei ainda neste mundo? O que terei visto? Quais serão as imagens que terei guardado de toda uma vida?

Talvez eu tenha a sorte da poetisa Lúcia Vasconcelos e consiga falar de amor, ou de amores, de saudades, da natureza, dos filhos, netos... Talvez eu queira esquecer o passado e construir caminhos novos. Talvez eu queira o que Elis cantou tão divinamente: "uma casa no campo" para ter a certeza da presença dos amigos do peito e nada mais.

Essas foram algumas das reflexões que o livro de Vasconcelos me proporcionou. As poesias doces, leves, despretensiosas revelam que, de fato, a vida pode ser poesia e, mais que isso: ter 70 é momento para recomeços. E dessa reflexão vem a coragem para mudar. Mudar o hoje, transformar sonhos em realidade. Quem sabe desengavetar aquela ideia há tanto tempo guardada? Quem sabe mudar de cidade, de profissão? Quem sabe ousar e buscar no mundo das sensações e emoções aquilo que a mecanicidade da vida tenta, a todo custo, nos retirar?

São reflexões de um quase quarentão! O que fica do livro aqui retratado? Fica a certeza de que revi o conceito de saudade. Saudade foi o poema que mais me tocou! 

Poetizando aos 70..., além de ser um retrato de vida, constrói, hoje, uma parte da minha história de vida!

Recomendo!

A todos, meus abraços.
Wagner Dias 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O ANO EM QUE VIVI DE LITERATURA

O ano em que vivi de literatura, Paulo Scott. Tenho certas reticências com literatura contemporânea brasileira. Não tenho encontrado muita coisa no mercado editorial que me agrade. Tudo parece guardar um ranço de repetição estilística, de temas fúteis e sem grande expressividade. Porém, num passeio a uma livraria, meu parque de diversões, me deparei com o título O ano em que vivi de literatura. Achei o título chamativo. Viver de literatura? No Brasil? Viver alimentando-se da construção literária? Viver da leitura durante um ano? Algumas questões que me deixaram curioso. Curiosidade de leitor significa livro na sacola! Comprei!

Não havia lido nada do escritor Paulo Scott até então. Comecei a leitura da obra e fui me prendendo! O livro é visceral: o homem vivendo em plenitude sua humanidade, seja ela intelectual, carnal, mundana, sentimental, familiar... enfim... a vida do homem.  O título do livro é inteligentíssimo. Mas não revelarei o porquê desse comentário! ;-) Você vai ler o livro, né? 

Gosto muito da forma livre em que a história se constrói. Um texto acessível, sem firulas desnecessárias. Um livro para ser vivido. Leitura forte! Intensa, dura, engraçada em vários momentos! Sinônimos do que somos enquanto homens, artistas, trabalhadores...

Foi uma grata surpresa a descoberta de Paulo Scott. O autor consegue nos colocar diante de nossa própria imagem, situando-nos no mundo e apresentando de que modo a arte revoluciona o pensamento.

Há outros livros do autor no mercado que, agora, preciso ler. Vou à caça de todos! Agradou-me a forma inovadora do texto de Scott. Gosto das obras que me perturbam! Sim, o livro é perturbador quando você enxerga o personagem central em sua profundidade, ou quando você se enxerga no personagem lido!

Não espere uma leitura doce, suave e romantizada da vida. Mas encontre a vida na arte, tão bem delineada pelas frases, pontuações, jogos de palavras que dão à Scott um lugar privilegiado entre autores contemporâneos: Scott traz brisa fresca onde, até então, só encontrávamos o chato e pesado ar cansativo (muitas das vezes piegas) de tantos textos construídos no Brasil e disponibilizados ao grande público. 

Ainda há esperança! :-)

Recomendo!

Meus abraços,

Wagner Dias.

sábado, 26 de março de 2016

DEPOIS DE AUSCHWITZ

Depois de Auschwitz, de Eva Schloss. Cá estou, de volta com o tema da Segunda Guerra Mundial. Para quem acompanha este blog, não é novidade que tenho uma atração por este tema: o holocausto. Tenho lido muitas coisas sobre o assunto, mas a cada novo livro, novas informações aparecem. Novas informações, surpresas e revelações sobre esse período negro da história da humanidade. 

Não gosto de comentar o livro para não tirar do possível futuro leitor o prazer da descoberta, mas posso adiantar que nomes como Anne Frank, Otto Frank aparecem na obra de modo revelador. A autora é uma sobrevivente do holocausto e sua obra é mais que retratar aquele momento. Eva Schloss mostra o que muitos livros de história não mostram: a vida dos judeus após a Segunda Guerra Mundial. 

Como em outras obras, revoltei-me com algumas passagens, chorei em outras e percebi que garra, fé e coragem poem mudar nossas vidas. Acho que esse é o maior legado deste livro para mim: força! Força para lutar e sobreviver, força para vencer, independentemente, do tamanho da dor, do problema.

As passagens de Eva Schloss pela Áustria, por Amsterdã, Suíça, Inglaterra, Polônia (Auschwitz) comprovam que para viver é preciso movimento! O que é a dor, o que é sofrimento, o que é força, o que é Deus, o que é perdão? Esses são questionamentos que me provocaram e que tentei responder.

O livro é lindo! E a vontade que senti, quando terminei, foi a de escrever uma carta para a autora convidando-a para um abraço longo e silencioso!

Para os que amaram O Diário de Anne Frank, o livro Depois de Auschwitz é uma leitura obrigatória, uma vez que a autora revela partes da vida de sua irmã não biológica (Anne Frank) e um pouco dos destinos daquela família que ficou, por anos, confinada, escondendo-se dos nazistas.

Recomendo a leitura!
A todos, meus abraços!
Wagner Dias.

FERNÃO CAPELO GAIVOTA

Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach. Li este lido no início da década de 1990. Na época, fiquei tocado pela força de Fernão e lembro-me de ter marcado várias passagens do livro. Hoje, alguns bons anos depois, fiz uma releitura. Essa releitura trouxe à tona memórias, cheiros, imagens de um tempo e apresentou-me caminhos novos.

Hoje, com um olhar mais crítico, vejo a obra atualíssima. O que é desbravar caminhos novos, superar desafios, romper limites, questionar, sair da inércia? Tudo isso é o que me move. Sou profundamente inquieto e incapaz de ficar estagnado no tempo e no espaço, esperando, lamentando... não tenho medo de recomeços.

Acho que meu momento presente exigia essa releitura. Estou indeciso. E a força de Fernão Capelo dá um daqueles empurrões necessários para que consigamos encontrar caminhos novos de felicidade. A tão almejada felicidade! Felicidade que a gente, no fundo, nem sabe direito o que é, uma vez que ela vai e vem, uma vez que os desejos mudam, os sonhos mudam... Talvez ser feliz seja caminhar com plenitude, com a consciência tranquila e serena, com a certeza de que queremos para nós e para o próximo, o bem. Apenas o bem maior: amor!

Essa leitura eu recomendo com todas as minhas forças. É importante permitir-se ser tocado ou tocada pela magia da literatura. E os voos de Richard Bach nesse livro são magistrais. É importante aprender, ensinar, desafiar, topar desafios. 

Vida é movimento!
A todos, meus abraços!
Wagner Dias

domingo, 27 de dezembro de 2015

EU, FILHA DE SOBREVIVENTES DO HOLOCAUSTO

Eu, filha de sobreviventes do holocausto, de Bernice Eisenstein. O tema do holocausto não se esgota. A cada nova leitura, é possível perceber formas, nuances, meandros de uma história que pode e deve ser contada e recontada, sob diversas lentes e contextos. Esse contar e recontar fortifica a memória, numa tentativa de fazer com que não nos esqueçamos do ocorrido, para que algo semelhante jamais volte a acontecer.

O livro de Eisenstein não tem a cara de uma autobiografia. Trata-se de uma narrativa que enreda a vida da autora e a vida de seus pais, tendo como fio, nessa tecitura, a Segunda Guerra Mundial e toda a sua atrocidade. 

A surpresa, no caso deste livro, fica por conta do modo com que se narra a vida de uma filha de pais sobreviventes do holocausto. O que é ser filha de alguém que esteve em um campo de concentração? O que sente, o que pensa, como se vê e como vê aos seus tendo essa marca tatuada na alma? 

A autora, que também ilustra o livro, dá ao texto um caráter leve. Algo do tipo: "sente-se aqui que vou te contar uma história minimamente curiosa!" E assim, como bons leitores, sentamo-nos ao lado da autora e começamos a ler/ouvir sua história, mergulhando nas suas ilustrações e amenizando as dores das feridas da vida através de uma certa acidez e um humor peculiar ao texto. 

Penso que esse humor tenha vínculos diretos com a alegria hassídica: mesmo onde o trágico teima em existir e se perpetuar, que tal pensarmos na vida com alegria? É mais ou menos assim que compreendi essa obra. 

Seu valor, ao meu ver, não se concentra apenas no teor histórico, mas numa lição de vida. O que fazemos de nossas vidas, como lidamos com nosso passado, como são nossas relações com os outros e com o nosso mais íntimo pensamento? Quem somos? Acho que essa é a grande pergunta que me fiz ao terminar o livro: quem sou? De onde venho? Por que tenho esse nome? O que de mim, hoje, é reflexo do meu eu de ontem? 

E assim, busco plenitude no agora, deixando o porvir me surpreender, como tem sido nos meus 39 anos de vida!

Recomendo a leitura!
A todos, meus abraços.
Wagner Dias.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O TREM DOS ÓRFÃOS

O trem dos órfãos, de Christina Baker Kline. Realidade e ficção dão o tom dessa narrativa. A partir de uma realidade vivida por crianças na década de 1930 - crianças órfãs, transportadas por trem, através dos Estados Unidos da América, teceu-se uma rede que consagra o diálogo entre presente e passado, fazendo com que o leitor reflita sobre as possibilidades de futuro. 

Christina Baker Kline tem uma escrita fina e sabe como enredar os assuntos, épocas e personagens. O livro que conta a história de Molly (2011) e Vivian (década de 1930 a 2011) permite ao leitor montar as peças de um belíssimo quebra-cabeças.

O mote é genial. O texto é doce, leve e sensível. A leitura é fluida e instigante. O mais marcante, talvez, seja a concepção de destino abordada pela autora. Como num livro, como em seu próprio livro, as coisas da vida se enredam magicamente. 

Dor, amor, solidão, resiliência, resignação, força são algumas das palavras que poderiam definir esta obra. Recomendo o livro para quem gosta de boas histórias e pretende, a partir delas, repensar a sua própria construção histórica. 

O futuro neste livro, é uma incógnita. Talvez de modo proposital. Passamos a vida pensando em futuro e, de repente, quando lemos histórias de quem mal consegue viver o presente, sem vislumbrar um dia a mais, conseguimos dar conta de que viver bem o presente pode ser uma boa alternativa para uma vida harmoniosa. Ainda que esta harmonia seja consigo mesmo.

O trem dos órfãos é sensibilidade do início ao fim!

Lindo livro! 

A todos, meus abraços.
Wagner Dias.