sábado, 26 de março de 2016

FERNÃO CAPELO GAIVOTA

Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach. Li este lido no início da década de 1990. Na época, fiquei tocado pela força de Fernão e lembro-me de ter marcado várias passagens do livro. Hoje, alguns bons anos depois, fiz uma releitura. Essa releitura trouxe à tona memórias, cheiros, imagens de um tempo e apresentou-me caminhos novos.

Hoje, com um olhar mais crítico, vejo a obra atualíssima. O que é desbravar caminhos novos, superar desafios, romper limites, questionar, sair da inércia? Tudo isso é o que me move. Sou profundamente inquieto e incapaz de ficar estagnado no tempo e no espaço, esperando, lamentando... não tenho medo de recomeços.

Acho que meu momento presente exigia essa releitura. Estou indeciso. E a força de Fernão Capelo dá um daqueles empurrões necessários para que consigamos encontrar caminhos novos de felicidade. A tão almejada felicidade! Felicidade que a gente, no fundo, nem sabe direito o que é, uma vez que ela vai e vem, uma vez que os desejos mudam, os sonhos mudam... Talvez ser feliz seja caminhar com plenitude, com a consciência tranquila e serena, com a certeza de que queremos para nós e para o próximo, o bem. Apenas o bem maior: amor!

Essa leitura eu recomendo com todas as minhas forças. É importante permitir-se ser tocado ou tocada pela magia da literatura. E os voos de Richard Bach nesse livro são magistrais. É importante aprender, ensinar, desafiar, topar desafios. 

Vida é movimento!
A todos, meus abraços!
Wagner Dias

domingo, 27 de dezembro de 2015

EU, FILHA DE SOBREVIVENTES DO HOLOCAUSTO

Eu, filha de sobreviventes do holocausto, de Bernice Eisenstein. O tema do holocausto não se esgota. A cada nova leitura, é possível perceber formas, nuances, meandros de uma história que pode e deve ser contada e recontada, sob diversas lentes e contextos. Esse contar e recontar fortifica a memória, numa tentativa de fazer com que não nos esqueçamos do ocorrido, para que algo semelhante jamais volte a acontecer.

O livro de Eisenstein não tem a cara de uma autobiografia. Trata-se de uma narrativa que enreda a vida da autora e a vida de seus pais, tendo como fio, nessa tecitura, a Segunda Guerra Mundial e toda a sua atrocidade. 

A surpresa, no caso deste livro, fica por conta do modo com que se narra a vida de uma filha de pais sobreviventes do holocausto. O que é ser filha de alguém que esteve em um campo de concentração? O que sente, o que pensa, como se vê e como vê aos seus tendo essa marca tatuada na alma? 

A autora, que também ilustra o livro, dá ao texto um caráter leve. Algo do tipo: "sente-se aqui que vou te contar uma história minimamente curiosa!" E assim, como bons leitores, sentamo-nos ao lado da autora e começamos a ler/ouvir sua história, mergulhando nas suas ilustrações e amenizando as dores das feridas da vida através de uma certa acidez e um humor peculiar ao texto. 

Penso que esse humor tenha vínculos diretos com a alegria hassídica: mesmo onde o trágico teima em existir e se perpetuar, que tal pensarmos na vida com alegria? É mais ou menos assim que compreendi essa obra. 

Seu valor, ao meu ver, não se concentra apenas no teor histórico, mas numa lição de vida. O que fazemos de nossas vidas, como lidamos com nosso passado, como são nossas relações com os outros e com o nosso mais íntimo pensamento? Quem somos? Acho que essa é a grande pergunta que me fiz ao terminar o livro: quem sou? De onde venho? Por que tenho esse nome? O que de mim, hoje, é reflexo do meu eu de ontem? 

E assim, busco plenitude no agora, deixando o porvir me surpreender, como tem sido nos meus 39 anos de vida!

Recomendo a leitura!
A todos, meus abraços.
Wagner Dias.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O TREM DOS ÓRFÃOS

O trem dos órfãos, de Christina Baker Kline. Realidade e ficção dão o tom dessa narrativa. A partir de uma realidade vivida por crianças na década de 1930 - crianças órfãs, transportadas por trem, através dos Estados Unidos da América, teceu-se uma rede que consagra o diálogo entre presente e passado, fazendo com que o leitor reflita sobre as possibilidades de futuro. 

Christina Baker Kline tem uma escrita fina e sabe como enredar os assuntos, épocas e personagens. O livro que conta a história de Molly (2011) e Vivian (década de 1930 a 2011) permite ao leitor montar as peças de um belíssimo quebra-cabeças.

O mote é genial. O texto é doce, leve e sensível. A leitura é fluida e instigante. O mais marcante, talvez, seja a concepção de destino abordada pela autora. Como num livro, como em seu próprio livro, as coisas da vida se enredam magicamente. 

Dor, amor, solidão, resiliência, resignação, força são algumas das palavras que poderiam definir esta obra. Recomendo o livro para quem gosta de boas histórias e pretende, a partir delas, repensar a sua própria construção histórica. 

O futuro neste livro, é uma incógnita. Talvez de modo proposital. Passamos a vida pensando em futuro e, de repente, quando lemos histórias de quem mal consegue viver o presente, sem vislumbrar um dia a mais, conseguimos dar conta de que viver bem o presente pode ser uma boa alternativa para uma vida harmoniosa. Ainda que esta harmonia seja consigo mesmo.

O trem dos órfãos é sensibilidade do início ao fim!

Lindo livro! 

A todos, meus abraços.
Wagner Dias.

domingo, 22 de novembro de 2015

PARA SEMPRE ALICE

Para sempre Alice, de Lisa Genova. Se há uma palavra que possa definir esta leitura, tal palavra é sensibilidade. Que o livro aborda o Mal de Alzheimer não é nenhum segredo. O que quero dizer é que a forma como a doença é retratada é que nos toca. 

O livro é muito bem escrito, numa sequência cronológica que nos apresenta, paulatinamente, o drama de Alice Howland, professora universitária que aos 50 anos de idade, descobre ter a doença já citada. 

A autora soube descrever com detalhes toda essa trajetória, através de um texto fluido e direto que está mais interessado em mostrar como é a vida de quem sofre com a doença e a vida de quem circunda esse doente. Tudo isso sem estereótipos e sem a linguagem fria e seca da ciência. 

Embora eu tenha lido uma tradução, a forma com que a escrita se constrói nos dá uma pequena prévia do que é não conhecer alguém, do que é saber o que se quer falar e não conseguir articular as palavras. É possível perceber que a perda da consciência, da memória, tende a nos desestabilizar e a nos colocar à margem do mundo.

Trata-se de uma bela reflexão sobre o hoje e o tempo que temos, mais que uma preocupação com o tempo que nos resta. Uma lição de vida. Lição de vida presente! Alice consegue viver cada minuto de sua vida da melhor forma possível, mesmo convivendo com a demência.

É impossível ler este livro sem se comover. Em algumas partes, lendo em voz alta, confesso ter chorado. Tentei me colocar no lugar de Alice e, com essa tentativa, um mundo se desvela. O mundo do viver da melhor forma possível a vida, antes que sejamos surpreendidos pelo passar do tempo ou antes que sejamos acometidos por algum mal. 

Li o livro que tem a capa do filme... (Sim, este livro virou filme!). Isso, infelizmente, me irritou muito, pois não tive liberdade de construir imageticamente a minha Alice, com base nas descrições da autora, descrições essas que nada têm a ver com a foto da atriz que interpretou Alice no cinema. 

Acho uma falha brutal das editoras publicarem obras literárias com capas de filmes, quando essas capas nos revelam rostos, e detalhes que, enquanto leitores, gostaríamos de descobrir pelas palavras. Vou colocar aqui a foto original do livro, que para mim é muito mais significativa e bela.

Recomendadíssimo! 
Meus abraços,
Wagner Dias

O PINTASSILGO

O Pintassilgo, de DonaTartt. Trata-se de um extenso romance (719 páginas em Português / Companhia das Letras) que a partir de reflexões sobre o que é a obra de arte apresenta uma junção de elementos que se enredam para construir a história de Theo Decker, o personagem principal da narrativa.

A história prende o leitor e, talvez, esta seja uma das habilidades de Tartt. Por mais prolixa que seja a obra, o leitor se vê dependente da leitura, desejando saber qual será o próximo evento, que destino está reservado ao protagonista. Claro que essa prolixidade se torna excessiva no decorrer da narrativa e, confesso, provoca um certo cansaço. Mas a autora mantém sua linha de escrita até o final. 

Embora seja um texto delicado, com escrita requintada, eu não o classificaria como um clássico, como foi considerado por alguns críticos. Também não sei o porquê deste livro ter ganho o prêmio Pulitzer. Acho que não é para tanto. Contudo, o que me encantou na obra foi a delicadeza das imagens construídas por Tartt. Não me pareceu um livro de inspiração pura. Pareceu-me uma obra pensada, com roteiro de escrita construído, o que o leitor poderá perceber com o desfecho da obra. Tartt é genuína ao demonstrar com detalhes, conhecimento sobre arte, música, informações que ampliam horizontes para o leitor.

Acho que a logística de construção de Theo Decker, o protagonista, é muito coerente e o final da obra cumpre com o que a narrativa apresenta a cada página virada. Para quem se incomoda com leituras que abordam o submundo das drogas, é  preciso que saiba que O Pintassilgo apresenta este universo em minúcias, com uma clareza tão evidente que chegamos a pensar que, ou a autora usou as drogas que aparecem na obra, ou fez um brilhante trabalho de pesquisa para construir seu livro. 

A narrativa surpreende. Dona Tartt sabe como dar reviravoltas na história e quando o leitor começa a imaginar um destino, ou desfecho, ela vira o jogo, a mesa, coloca outras cartas na jogada e outra curiosidade se inicia. 

É um bom livro. Embora eu não o considere um clássico. Algumas passagens são cinematográficas e parecem ter sido construídas para a lente de uma câmera e não para as páginas de um livro. Isso não desmerece em nada o poder criativo da autora.

Portanto, se você se encorajar a encarar as 719 páginas de O Pintassilgo, no mínimo você viverá fortes emoções!

Meus abraços,
Wagner dias

domingo, 25 de outubro de 2015

TODA LUZ QUE NÃO PODEMOS VER

Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr. Busquei esse livro pela temática da Segunda Guerra Mundial. Esse tema me atrai por algum motivo. Foi uma grata surpresa. Quando se pensa que tudo já foi dito sobre aquele período negro e que as narrativas sempre terão os mesmos caminhos, encontramos um texto surpreendente, rico em minúcias, em imagens. Uma junção da dureza fria da guerra com a sensibilidade de histórias que se cruzam: Werner e Marie-Laure. Ele, um jovem alemão, e ela, uma menina cega que nos engrandece com suas palavras e ações.

Se não bastasse a riqueza das personagens, o livro possui uma engenharia muito interessante. Impossível não se sentir fisgado desde as primeiras páginas. Anthony Doerr, premiadíssimo com este livro, soube escrever essa história de modo inteligente e tocante.

Não espere dessa obra uma narrativa lugar-comum sobre a Segunda Guerra. Espere mais. Espere um mistério que gira em torno de um diamante e que alinhava toda a trama! Trata-se de um belo quebra-cabeças, recheado de cenas fortes, de música, de vida. Trata-se de um livro que aguça nossos sentidos e que, a cada página lida, desperta a vontade de ir além, de saber mais. 

No meio do livro, começamos a nos questionar como o autor arranjará o final. E este é muito coerente, rico e sem máculas. O livro é preciso. Provavelmente um trabalho muito bem pensado, tanto em termos técnicos (questões de física) assim como as aproximações com outras obras literárias e a organização das ações da narrativa..

Conseguimos ver, através do texto de Doerr, algo a mais que o mero bem e mal. Conseguimos ver onde a humanidade se equaliza. Lindo livro. 

Recomendadíssimo! 
A todos, meus abraços,
Wagner Dias.

sábado, 10 de outubro de 2015

EU SOU O MENSAGEIRO

Eu sou o mensageiro, de Markus Zusak. Cheguei a esta leitura após ter conhecido A menina que roubava livros, do mesmo autor. Fiquei curioso para saber se a escrita que tanto me satisfez em A menina que roubava livros estava presente em uma outra obra de Zusak. Ao pesquisar sobre Eu sou o mensageiro, percebi que o mesmo fora publicado antes de "A menina...". 

Em Eu sou o mensageiro, não senti a força de um bom enredo, nem a força de uma história que prenda o leitor. Eu diria que é um livro leve, para quem deseja se divertir e esquecer dos problemas do cotidiano, sem ter a pretensão de ler uma boa literatura. O livro distrai! E só. Não achei que o título tenha sido uma boa escolha e, para um leitor atento, a revelação feita no final, se faz já nas primeiras ações da trama, nas primeiras mensagens! 

Li até o final pois nunca desisto de um livro. Há bons momentos na trama. Mas acho que depois das primeiras mensagens, o livro faz uma barriga e cansa um pouco. Zusak tenta criar um suspense, um jogo de adivinhações que não são muito convincentes e tornam a narrativa frágil em alguns pontos. Algumas das mensagens são tão "água com açúcar", ou com um sentido tão...vazio que não justificam suas presenças na obra. 

Mas o personagem principal é cativante. Acho que a leitura se faz até o fim, porque passamos a torcer por Ed. Kennedy, o jovem protagonista! Acho que jovens irão se divertir com o vocabulário, com os romances e com a vida dos personagens. 

Eu esperava uma história forte e intensa, como em A menina que roubava livros. Comparar, no entanto, uma obra coma outra, não é uma boa tática. Prefiro ficar com as boas impressões da trama de "A menina...". Contudo, pretendo ver outras obras do autor para ter uma opinião mais contundente.

Para finalizar, repito: se quiser se divertir e espairecer, leia Eu sou o mensageiro! Mas não espere mais que isso!

A todos, meus abraços!
Wagner Dias.