sábado, 10 de outubro de 2015

EU SOU O MENSAGEIRO

Eu sou o mensageiro, de Markus Zusak. Cheguei a esta leitura após ter conhecido A menina que roubava livros, do mesmo autor. Fiquei curioso para saber se a escrita que tanto me satisfez em A menina que roubava livros estava presente em uma outra obra de Zusak. Ao pesquisar sobre Eu sou o mensageiro, percebi que o mesmo fora publicado antes de "A menina...". 

Em Eu sou o mensageiro, não senti a força de um bom enredo, nem a força de uma história que prenda o leitor. Eu diria que é um livro leve, para quem deseja se divertir e esquecer dos problemas do cotidiano, sem ter a pretensão de ler uma boa literatura. O livro distrai! E só. Não achei que o título tenha sido uma boa escolha e, para um leitor atento, a revelação feita no final, se faz já nas primeiras ações da trama, nas primeiras mensagens! 

Li até o final pois nunca desisto de um livro. Há bons momentos na trama. Mas acho que depois das primeiras mensagens, o livro faz uma barriga e cansa um pouco. Zusak tenta criar um suspense, um jogo de adivinhações que não são muito convincentes e tornam a narrativa frágil em alguns pontos. Algumas das mensagens são tão "água com açúcar", ou com um sentido tão...vazio que não justificam suas presenças na obra. 

Mas o personagem principal é cativante. Acho que a leitura se faz até o fim, porque passamos a torcer por Ed. Kennedy, o jovem protagonista! Acho que jovens irão se divertir com o vocabulário, com os romances e com a vida dos personagens. 

Eu esperava uma história forte e intensa, como em A menina que roubava livros. Comparar, no entanto, uma obra coma outra, não é uma boa tática. Prefiro ficar com as boas impressões da trama de "A menina...". Contudo, pretendo ver outras obras do autor para ter uma opinião mais contundente.

Para finalizar, repito: se quiser se divertir e espairecer, leia Eu sou o mensageiro! Mas não espere mais que isso!

A todos, meus abraços!
Wagner Dias.

domingo, 27 de setembro de 2015

ONDE NASCEM OS VENTOS

Onde nascem os ventos, de Brian Payton. Bom, como começar a falar deste livro? (...) Costumo ser bastante sincero em minhas observações. Costumo ler rápido e nunca abandono um livro pela metade. Fiz o mesmo com este! Li até o final! Quando o adquiri, o fiz pelo tema da II Guerra Mundial, que me fascina! O início é muito interessante e prendeu minha atenção. Acho que a história poderia ser a do personagem principal e seu amigo soldado. 

Não quero dar muitos detalhes para não incomodar aqueles que queiram ler. Mas acho que o autor peca pela falta ao desenvolver de modo muito superficial a relação dos personagens principais, o que acaba deixando no ar a dúvida: valeria a pena tantos sacrifícios por um tipo de amor que não nos foi narrado tão pulsante? 

Fiz um certo esforço para terminar a leitura, acreditando que o final me surpreenderia. Não surpreendeu! Achei que com a passagem dos capítulos a leitura fosse me fisgar. Não fisgou. Mas, sejamos justos, há passagens muito bem escritas, com cenas muito fortes e que nos tocam. Mas o enredo em si deixa a desejar.

Acho até que a história é boa, mas a forma com que foi narrada acaba por depreciá-la. Não sei se o fato de ter lido uma tradução tenha me provocado essa sensação não muito agradável. Contudo, ler é isso: deparar-se com coisas boas, coisas maravilhosas, com coisas nem tão maravilhosas assim...

Porém, para quem trabalha com jovens, com leitura, ter contato com um pouco de tudo vale a pena. Vou ainda tentar buscar outras obras do autor e ver se seguem a mesma linha, numa tentativa de reverter meu conceito sobre seu estilo de escrita! 

No mais, deixo aqui meus abraços!
Wagner Dias

O PEQUENO PRÍNCIPE

Com a onda do novo filme que teve estreia no início do segundo semestre de 2015, fiz minha quarta leitura de O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Não escondo de ninguém meu fascínio por esta obra que guarda tantas conotações. 

Muitos insistem em destinar esta leitura ao público feminino, ou classificá-la como livro de miss. No entanto, isso não é suficiente para que essa obra-prima da literatura se perpetue. E ela vai seguindo sua eternização literária com o passar das décadas, já podendo, na minha modesta concepção de leitor, ser considerada um dos grandes clássicos da humanidade. O livro não é só para as meninas, muito menos é um livro de miss. 

A narrativa é repleta de reflexões que colocam à prova o que são as relações do homem consigo mesmo e com o mundo, as vaidades, as responsabilidades, o amor, a amizade... E esses são temas que nunca deixarão de existir na literatura. Contudo, o que faz com que esta obra seja tão peculiar? Talvez a pureza com que as palavras são utilizadas. Talvez a simplicidade do olhar sobre o mundo. A simplicidade é rica! Sempre gostei das coisas simples, da forma simples de comunicação, forma esta que cumpre sua missão: comunicar! 

Sempre que releio este livro, algo novo é descoberto e a minha própria vida é redesenhada. As palavras do Principezinho motivam a desenhar cobras que engolem elefantes ou carneiros dentro de caixas. Como sempre digo: olhares das possibilidades! Para quem nunca leu, fica a dica: leia! Não dá para passar por este mundo sem ter contato com esta obra. Para quem já leu, releia! Há muito a ser revisitado.

Há hoje no mercado uma infinidade de edições que vão desde as mais simples e de baixo custo às mais ricas e caras. Tenho algumas edições. Mas, não importando qual seja, permita-se sentir. Permita-se experimentar! Confesso que não sei se "somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos" (acho um peso grande, uma responsabilidade grande demais, embora em tese seja maravilhoso. Porém, tenho a convicção da importância de cativar e de zelar pelos que amamos!
Meus abraços,
Wagner Dias.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A FESTA DA INSIGNIFICÂNCIA

A festa da insignificância, de Milan Kundera. Para mim, essa obra se define como sendo paradoxal. Em que sentido? Tentarei explicar. Tive a sensação de que essa leitura não se realiza nas meras linhas do texto. Vai além! As linhas dessa obra tornam-se insignificantes diante do que as entrelinhas permitem. Nesse sentido, posso ousar dizer que Milan Kundera é um gênio! Não apenas por ser um autor aclamado, mas pela destreza, pelo talento, pela eficácia de construir uma narrativa aparentemente simples, ou insignificante, como preferirem, e, dessa forma, conseguir dar a essa insignificância ares de uma festa complexa e repleta de nuances! Festejar o insignificante permite entendermos as profundezas do que nos é significativo. 

O texto essencial e tocante dessa obra está internalizado nos subtextos - nos monólogos interiores - nas reflexões e, até mesmo, nas falas dos interlocutores dos personagens principais. Por que falar da insignificância? Porque, penso, falar do que raramente pensamos permite-nos construir o entendimento daquilo que pensamos ser. É como pedir a alguém para se definir em poucas linhas: numa situação dessa, torna-se difícil criar uma autodefinição que dê margem à exposição das falhas de caráter, dos defeitos, das mentiras que falamos cotidianamente. Temos a tendência a exaltar nossas qualidades. Contudo, enxergar o defeito, pode abrir caminhos para nos entendermos de modo menos interesseiro, menos parcial. Afinal, ser honesto consigo mesmo pode ser mais complexo que ser honesto com o outro! 

O texto é simples! Vocabulário que não exige do leitor grandes esforços. Os capítulos são curtos, as situações retratadas são simples, ou insignificantes, diante daquilo que pensamos ser as coisas complexas e significativas de nossa vida. No entanto, o que o entendimento do umbigo como parte erótica do corpo feminino, se liga a Stalin ou ao direito de nascer? Que relações um falso câncer, ou a divulgação da falsa notícia de um câncer, um coquetel, um idioma inventado e um passeio de motocicleta por Paris pode nos revelar?

É nesse ambiente de simplicidade narrativa e simplicidade de cenas cotidianas que se compõem o mosaico de A festa da insignificância. Creio que não seja um livro para ser lido e compreendido. Ele faz sentido em alguns momentos. Em outros é uma pintura que deve ser contemplada. Refiro-me a algumas passagens como o momento de observação de uma pequena pluma que paira no ar, ou na descrição de uma garrafa de bebida, guardada como um tesouro, ou nas descrição das estátuas do jardim de Luxemburgo, dentre outras muitas. 

Arte! O texto de Kundera neste livro é pura arte. E mexe com o leitor. Se a proposta de um bom livro é esta, tocar o leitor, incomodar, mexer com os nervos, o autor consegue. Não importa se compreendemos todas as nuances do texto. Importa permitir-se mergulhar nessa viagem proposta por Milan Kundera. 

Não tentar entender é um bom caminho para esta leitura. Para quem se sentir desafiado, sugiro ler e tentar desenhar na mente as imagens, os lugares e situações propostas pelo autor. Nesse sentido, posso garantir que o livro é memorável.

Senti por esta narrativa o mesmo fascínio que senti quando li A insustentável leveza do ser - também do Kundera. Aliás, os títulos de Kundera para seus livros são fantásticos. Ter tido contato com essas duas obras deste autor me aguçou a curiosidade de ler outras obras.

Se você entender na totalidade este livro, vamos trocar figurinhas! Quero reler em breve e descobrir coisas que, fatalmente, deixei escapar, por incompetência, por falta de bagagem intelectual, ou displicência! 

A leitura deste livro é um belo desafio! Que tal? 

Deixo aqui meus abraços,

Wagner Dias

quinta-feira, 25 de junho de 2015

EU SOU O ÚLTIMO JUDEU

"Eu sou o último judeu", de Chil Rajchman. Antes de qualquer palavra: um documento histórico. Um relato minucioso das atrocidades cometidas contra milhares de judeus no campo de extermínio de Treblinka (Polônia), no período de 1942 a 1943. Como já deixei claro em outras postagens, o tema da segunda guerra mundial me atrai de modo peculiar. Como acredito em outras vidas, penso ter ter algum elo com esse período. 

Tenho por mania acompanhar as leituras sobre o assunto em foco, sejam elas biografias, textos literários e qualquer informe que me acrescente dados e amplie o meu entendimento do que foi o holocausto. Talvez minha esperança seja, em algum momento, achar um livro, uma frase que me diga: isso não aconteceu! Foi só um pesadelo! Contudo, o horror foi real e o lema de contar, relembrar para que não mais aconteça deve ser diariamente pronunciado. 

O livro de Rajchman, em especial, trouxe-me sensações inusitadas. Primeiro pelo detalhe e zelo nas descrições, que permitem ver claramente, toda a dor e todo o pesadelo vivido pelos judeus no campo de extermínio de Treblinka. Campo de extermínio. Pensar nessas palavras pode nos tocar, causar comoção. Ler em detalhes um relato de um sobrevivente, traz à tona o horror, o medo e o pensamento: como o homem pode ser capaz de ser tão atroz em seus crimes motivados pelo desejo de poder? 

As passagens desta obra são realmente muito fortes. Confesso que cheguei a sonhar com algumas cenas. Refiro-me especialmente às cenas dos dentistas, que, quem ler a obra, poderá compreender em detalhes o porquê de minha angústia. O livro angustia, mas não se consegue deixar de ler. Acredito ser a atração que os sortilégios da morte (lembrando-me de Consoada, de Manuel Bandeira) provoca. A cada novo capítulo, passamos a torcer para que algo de bom ocorra. Vivemos juntos o drama dos judeus de Treblinka. Derramamos juntos as lágrimas, sentimos a dor das chicotadas, o cheiro de morte.

Mas não se assustem com meu relato. São minhas impressões. O livro é muito bom e recomendo sua leitura. O prefácio é muito elucidativo e, acredito, deve ser lido com atenção. No mais, Eu sou o último judeu, é um relato doloroso e cruel de uma face de nossa história que dificilmente será esquecida!

A todos, meus abraços!
Wagner Dias.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

DOIS GAROTOS SE BEIJANDO

Dois garotos se beijando, de David Levithan. Este livro estava em uma das prateleiras de leituras destinadas a jovens. Como sou educador, lido cotidianamente com jovens e não excluo nada que possa ser lido da minha vida, acabei me deixando seduzir pela capa da obra em questão. Uma das mais lindas capas que tenho em minha biblioteca. Dois rostos de garotos selando um beijo, num projeto gráfico muito interessante, singelo e poético. A leitura é suave e fluida. Os narradores guardam um segredo que não revelarei, mas que posicionam o leitor, trazendo-o para as reflexões mais duras, porém necessárias no mundo diverso da contemporaneidade.

O livro aborda relações homoafetivas, a beleza do amor entre pessoas do mesmo sexo, os dramas, os medos, o entendimento social sobre o assunto... tudo isso de modo muito delicado, o que não significa ser tratado de um modo leve. Há acidez em determinadas passagens, mas essa acidez é necessária para construir um emaranhado de situações que exigem um tom mais incisivo! O mote: bater o recorde mundial de beijo. Na obra, isso ocorre como forma de protesto! Realmente é possível que o leitor se envolva com as diversas situações e entre na torcida pelo sucesso dos casais e de todos os personagens. Histórias se entrelaçam! Esqueci de comentar! 

Eu não poderia dizer que o final é surpreendente. Na minha singela opinião, não o é. Mas isso é questão de gosto. Numa análise fria, é possível dizer que o autor deu ao seu texto um final digno e necessário. Nem sempre as coisas são como queremos, como escreveríamos, assim como na vida! Mas acho que ficou um desejo de saber um pouco mais! 

Trata-se de uma boa leitura para jovens, leitura essa que, se bem mediada, no contexto escolar, por exemplo, pode, além de ser caminho para a introdução ao universo literário, uma fonte  de debates. A obra se propõe a isso. 

Assim, se você deseja conhecer um universo novo, se você simpatiza com a causa homoafetiva e se você tem coragem de enfrentar o novo, examinando-o com um olhar sereno e livre de preconceitos, leia Dois garotos se beijando. Se não estiver nesta lista de pré-requisitos, leia também. Você precisa ampliar seus pensamentos e sua visão de mundo! ;-) 

A todos, meus abraços!
Wagner Dias 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

OS LARGADOS

Os largados, do italiano Michele Serra, é uma leitura surpreendente, terna e ácida. Trata-se do debate entre gerações, sua complexidade e seus constrangimentos. No entanto, diferentemente de outras obras que tratam deste tema, Serra consegue, com uma espécie de humor ácido, prender a atenção do leitor, o qual se identifica ora com o pai rabugento da narrativa, ora com o jovem filho. 

Da lágrima ao riso, Serra consegue discutir o tema do conflito de gerações, criando uma guerra fictícia entre velhos e jovens, que, para mim, é uma das partes mais interessantes e sensíveis da obra. Não contarei o final desta guerra, claro, mas posso garantir que este é um momento repleto de imagens tocantes e também poéticas. 

O livro permite ao leitor revisitar a própria existência de modo a criar reflexões sobre como lidar com outras gerações. A falha está neles ou em nós? A falha é dos jovens ou dos velhos? Dos velhos ou dos jovens? Qual o limite desse dilema? Em que consiste a vida em família? 

Como eu não conhecia nada deste autor, fiquei surpreso com o estilo de escrita, que é bastante criativo, inusitado e que mescla dor e prazer, tristeza e alegria, acidez e doçura em frases simples. Na verdade, a história é simples, é cotidiana. O que dá ao livro o frescor da novidade é a estrutura narrativa.

Trata-se de uma excelente leitura para pais, mães, filhos, filhas, professores, professoras, alunos, alunas...jovens e maduros! E que a arte do encontro se faça na simplicidade!

Recomendo! :-)

Meus abraços,

Wagner Dias