quinta-feira, 4 de junho de 2020

A ARTE DE SER FELIZ


A arte de ser feliz, Cecília Meireles

Nesta postagem, apresento a vocês a minha modesta homenagem a Cecília Meireles, interpretando parte de um de seus textos que mais me comovem: A arte de ser feliz. Espero que assistam ao vídeo e que também se sintam inspirados pela visão poética de mundo dessa grande escritora brasileira.
Abaixo do vídeo, você encontra o texto na íntegra!
Meus abraços,
Wagner Dias




Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava história. Eu não a podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que ouvisse, não entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu que não participava do auditório imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria para uma cidade que parecida feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e, em silêncio ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros, e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos: que sempre parecem personagens de Lope da Vega. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outras dizem que essas coisas só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Texto extraído do livro:“Escolha o seu sonho” de Cecília Meireles. 4ª ed., Rio de Janeiro: Global Editora, 2016.

A INSERÇÃO DE ADULTOS NO UNIVERSO DA LITERATURA

Olá!

Hoje venho falar de um tema muito interessante: a inserção de adultos no universo da literatura. Sabemos que muitos professores, pais, adultos em geral têm dificuldades com a leitura e não mantém uma proximidade saudável com os livros. 

Isso acontece por diversos fatores. O importante é que o adulto reconheça o que o impede de ler e, se o desejar, tentar vencer este obstáculo. Só se ensina a importância da leitura para uma criança ou para um jovem, aquele que ama os livros e sabe com ele se relacionar! 

Assim, assista ao vídeo, compartilhe com pessoas que possam se interessar e comentem!



Seus comentários sempre nos ajudam a refletir e a pensar nas próximas postagens!
Vejam a descrição do vídeo e os textos que sugiro como base para que o tema seja aprofundado!

Meus abraços,
Wagner Dias

PRÁTICAS ESCOLARES COM O LIVRO LITERÁRIO

Olá!

Venho apresentar o quinto vídeo da série Leitura! Espero que estejam gostando e visitando os vídeos anteriores. Fiz tudo com muito carinho para ajudá-los a refletir sobre as questões tão sérias e necessárias envolvendo a literatura para crianças e jovens.

Neste vídeo, dou pequenas sugestões de como trabalhar de maneira profícua o texto literário. Tudo parte de minhas experiências enquanto professor e pesquisador. 



Sigam-me no canal e também no Instagram: @wagnertedi

Seus comentários e dúvidas são sempre bem-vindos e eu tento sempre respondê-los o mais rápido possível.

E então, como você trabalha o livro literário com crianças e jovens? Compartilhe conosco suas experiências!

Meus abraços, 
Wagner Dias



A ESCOLHA DO LIVRO LITERÁRIO INFANTIL

Olá!

Neste post abordo um tema de grande importância: a escolha do livro literário para crianças! Quem nunca se perguntou como fazer essa escolha? Como selecionar um bom livro? Que critérios podemos aplicar?

Para você que trabalha com educação, que é pai, mãe, ou que se preocupa com a inserção de suas crianças no universo da literatura, eis aqui uma oportunidade de reflexão. Vamos lá? Aguardo, ansiosamente, sugestões e comentários!



Não se esqueçam de olhar a descrição do vídeo. Lá vocês encontrarão sugestões de leituras complementares! ;-)

Meus abraços!
Wagner Dias

LEITURA: ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

Olá!

Neste vídeo comento um pouco sobre letramento e alfabetização. Deixo aqui um convite para interagirem comigo a partir das ideias apresentadas!



Não se esqueçam de que em cada descrição dos vídeos, há uma série de artigos que podem ser consultados para aprofundamento dos tremas abordados. 

Um abraço,
Wagner Dias

domingo, 15 de março de 2020

LEITURA: O PRIMEIRO CONTATO COM O LIVRO

Leitura: o primeiro contato com o livro e a influência dos professores da educação infantil e dos anos iniciais de escolarização.



Aqui está o segundo episódio da série Leitura. Como expliquei no primeiro episódio, meus vídeos dessa série têm como objetivo dividir minhas experiências com a literatura, desde meus tempos de estudante, passando pelas marcas da docência e chegando ao meu universo de pesquisador e escritor. 

Não quero com isso parecer prepotente, dizendo que minhas práticas são fenomenais. Não! Muitos dos que agora me leem ou assistem podem ter exemplos muito mais significativos. Contudo, precisamos compartilhar! 

Não esperem uma edição perfeita! Vou cometer falhas relacionadas à oralidade, pois falo de improviso! Espero que vocês façam comentários e que nós possamos intensificar nossos contatos!

Recebam meus abraços,
Wagner Dias.

DAVID COPPERFIELD

David Copperfield, de Charles Dickens. Muitos dos livros citados em aulas durante minha graduação em Letras (isso já faz algum tempo) entraram na minha lista de leituras desejadas. Com o passar do tempo, obras contemporâneas, leituras destinadas às minhas pesquisas e ao trabalho, além dos clássicos fazem parte do meu cotidiano. David Copperfield é um desses clássicos que durante algum tempo ficaram na minha lista de desejos. Consegui, no fim de 2019, concluir essa leitura, mas só agora estou atualizando o blog. 

Então, o que dizer dessa obra? De antemão, podemos compreender a denominação da obra como clássica. De fato, é uma obra que vem atravessando o tempo e deixando suas marcas. E graças aos seus admiradores, ganha essa conotação. O livro se perpetua porque continua emocionando os aventureiros que buscam nas linhas de Dickens algo com o qual se identifiquem. 

Eu diria que sensibilidade define a obra. Personagens, muitíssimo bem construídos, envolvem-nos na atmosfera construída provocando nossas memórias afetivas e despertando nossos mais loucos sentimentos. Os primeiros capítulos, que narram a infância de Copperfield, o personagem principal,  são repletos de pura emoção. Comovemo-nos com os dramas do menino que são recortados por lembranças, sonhos e desejos. No decorrer da trama, vamos percebendo como o homem se transforma e como as marcas do passado definem uma personalidade. 

É uma leitura que exige paciência. No entanto, para se chegar ao paraíso, às vezes precisamos enfrentar agruras. Que agruras? Explico: não é uma leitura fácil e exige paciência para se acompanhar seu ritmo. Falamos de uma obra escrita em uma época em que os leitores se dedicavam à leitura sem as perturbações do mundo contemporâneo. Falamos de um estilo detalhista, intenso, profundo, que demanda vontade e dedicação. 

Para os que concluem a leitura, o resultado é fascinante. Após fechar a última página, passamos ainda algum tempo refletindo sobre os dias em que o livro nos fez companhia e em quantas coisas pensamos sobre a história narrada e sobre nossa própria vida. 

Não falo de minúcias da narrativa para não estragar a surpresa da leitura. Meu diário de bordo mostra, ou ao menos tenta mostrar, minhas sensações a partir das obras que leio e que, pouco a pouco, passam a fazer da minha história. 

Recomendadíssimo!
Meus abraços, 
Wagner Dias

sábado, 14 de março de 2020

VOZES ANOITECIDAS


Vozes Anoitecidas, do escritor moçambicano Mia Couto.



Ando atrasado com as atualizações de leituras feitas. São muitas frentes de atuação e preciso me organizar para não deixar de dar atenção a todas essas vertentes de discussão sobre a leitura.

Bem... hoje falo das minhas impressões sobre a obra Vozes Anoitecidas. Trata-se de um livro de contos (coletânea de 12 contos) e, ao que parece,  a primeira publicação do autor em prosa.  Trata-se de uma obra repleta de elementos poéticos e que guarda características profundas de Moçambique, onde os contos parecem se situar.

É preciso se deixar levar pela pureza comunicativa do autor que costura cultura, fantasia, musicalidade. Talvez por ser o escritor também um poeta, seu texto é sensível e permite ver o mundo com lentes diversas.

Sente-se fortemente a presença da influência de Guimarães Rosa na obra de Couto. Há neologismos, repletos de sentidos, que traduzem ideias que dificilmente seriam tratadas com as palavras registradas em dicionários.

O cotidiano, o sonho, o mágico, o transcendente estão fortemente marcados nos contos. Vozes diversas, homens, mulheres e suas histórias, desejos, vivências compõem  os temas abordados. 

Espere finais que fogem dos clichês. Mia Couto nos surpreende com os desfechos dados aos contos e, em muitos deles, precisamos refletir e criar nosso próprio entendimento.

Sem dúvida, trata-se de um excelente livro que merece ser lido e degustado. Degustado devagar! Não é à toa que Mia Couto é tão reverenciado no Brasil. De certo modo, seus textos nos aproximam. Não apenas por serem escritos em língua portuguesa, mas porque experienciamos dramas também semelhantes em termos de colonização e miscigenação.

Recomendo!

A vocês, meus abraços!
Wagner Dias

domingo, 8 de março de 2020

LEITURA: HISTÓRIAS ORAIS FAMILIARES E A DESCOBERTA DO MUNDO (Episódio 1)

LEITURA: HISTÓRIAS ORAIS FAMILIARES E A DESCOBERTA DO MUNDO  (Episódio 1)


Olá!

Esta postagem inaugura um novo momento no blog. Semanalmente, serão compartilhados, aqui, no Facebook e no Instagram, vídeos da série Leitura. Trata-se de  9 episódios destinados a professores, pais, e a todos e a todas que se interessam pelos processos de inserção da criança ao universo literário. A ideia é, a partir de relatos de minhas experiências enquanto leitor, pesquisador, professor, escritor, criarmos um espaço de diálogo e de troca de ideias. 




Os comentários enriquecerão essa troca. Para quem quiser acompanhar, sem perder nenhum episódio, sugiro que me sigam no canal do youtube (clicando no vídeo desta postagem você encontra o Canal). Lá os videos estarão melhor organizados, uma vez que aqui irei intercalar outros elementos. 


O Instagram também é um bom canal para nos comunicarmos!
@wagnertedi

Espero que gostem e que muitas ideias de troca, de leitura, de escrita e de afetos venham à tona nessa nova empreitada!
A vocês, meus abraços!
Wagner Dias.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

PENTEAR PALAVRAS

Olá! 
Segue aqui meu construto poético de hoje!
Para quem se alimenta de palavras... nada mais necessário que estar vendo e revendo possibilidades que elas nos dão!
Meus abraços!
Wagner Dias



sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

DO DIREITO À PALAVRA AO DIREITO À ESCOLHA

Do direito à palavra ao direito à escolha


Vivemos um tempo de vozes. Das mais diversas, belas, controversas, afáveis, venenosas, alegres, deprimentes... tempo de palavras de todas as ordens. As palavras viajam velozes através das redes sociais, das televisões, de panfletos, rádios... São inúmeros os canais pelos quais as palavras vêm e vão.

As palavras podem ser os reflexos dos nossos egos. Podem ser veículos que levam amor. As palavras podem tudo! E isso é mágico! As palavras podem ser, inclusive - acreditem - liberdade! No entanto, tenho filtrado um pouco essas tais palavras: adotei como prática cotidiana filtrar o que leio e ouço, o que falo ou escrevo. É simples: basta pegar as palavras e passá-las por um filtro no qual coabitam carvão, areia e algumas pedras. A tentativa é extrair desse processo um caldo mais limpo. 

Às vezes funciona. Alguns sucos, de palavras filtradas, saem límpidos e cristalinos, bem puros. Outros continuam turvos. Há ainda os que saem da mesma forma que entraram. Por fim, há os que são tão densos, tão carregados de escuridão, que não conseguem vencer as barreiras da filtragem. Ficam retidos. Para o bem! Esses, que não passam na seleção da filtragem, são sucos de palavras repetidas, vazias, discursos de mero convencimento. Sim! Atualmente, querem me convencer de tudo: querem me convencer disso ou daquilo, querem que eu seja assim ou assado, querem que eu compre esse ou aquele produto. São palavras que sugerem como devo viver: palavras que querem viver por mim, pensar por mim, tomar decisões por mim. 

Tento entender os propósitos dessas palavras... todavia, acabo concluindo que são palavras impensadas, resultados de reflexões rasas. Muitas das vezes são palavras cuspidas como fruto de uma autodefesa que é cega. O triste é que essa cegueira impede qualquer exercício de análise imparcial, serena, pautada na sabedoria. Nem falo aqui de títulos ou diplomas, pois algumas das pessoas mais sábias que conheci neste mundo não sabiam sequer escrever o próprio nome. 

Vivemos tempos difíceis, de falsas notícias, de discursos mentirosos. O problema é que sempre haverá alguém capaz de acreditar nessas mentiras: seja por ignorância, covardia, modismo, ou por uma questão de caráter. E essas mentiras acabam ganhando tônus de verdade, porque assim se escolheu: acreditar na mentira, às vezes, camufla a necessidade de justificar o que na verdade não se justifica. O erro por exemplo. Aprendi, com meu pai, que não se justifica um erro, mas que se deve pedir perdão quando se erra. Segundo ele, isso se chama nobreza de espírito. Um artigo raro em tempos tão frios. 

Por essas e outras, decidi escolher o que ler e ouvir, a pretexto de manter minha sanidade: estou um pouco cansado de tentar esforços hercúleos para tirar leite de pedra. Não me julguem! Primeiro pensem no que já fiz nesta vida e porque cheguei a este nível de cansaço. Decidi que, ao invés de tirar leite de pedras, seria melhor construir, com as mesmas pedras, filtros.

Não, não, não! Não tentem dizer que construí com elas muros para me isolar e me separar daquilo que vocês pensam (se vocês pensam diferente de mim). Não construí muros. Reflitam: uma pedra sobre a outra, e assim sucessivamente, pode conotar uma parede. Mas se vocês quiserem enxergar isso como parede. Prefiro pensar que nas frestas existentes entre uma pedra e outra passam os sucos de palavras... As pedras, na minha concepção, filtram o que chega a mim. 

Não gosto de nenhuma ideia radical de segregação, de isolamento, de rejeição. Acho egoísta e contraditório com meu pensamento libertário, que nomeia as coisas. Isolar, segregar, rejeitar são palavras que implicam um tipo de concordância que não prioriza diálogos. Em linhas gerais seria: "se não pensa como eu, está fora do jogo"! Em outras palavras, já que elas hoje são temas de nosso texto, não interagir, não ponderar e apenas excluir revela nossa falta de equilíbrio, de discernimento e de capacidade de vivermos fora do atoleiro do nosso próprio egoísmo. 

Assim, a escolha de filtrar palavras me pareceu sadia, uma vez que é vão o ato de tentar dialogar sem interlocutor. Falar ao vento?  Tentar convencer alguém de uma ideia, sabendo que esse alguém não está disposto a, minimamente, refletir? Ah, alguns de vocês podem dizer: "mas ele está se contradizendo. Ele está segregando". Não! Há aqui uma diferença sutil. Estou filtrando para que posa receber ares mais puros, menos carregados de instintos e mais coloridos de reflexão. Todavia, este é um espaço de liberdade. Escolha! Cabe a vocês, que leem minhas loucuras, a decisão de filtrar, ou segregar, se quiserem e assim acharem necessário.

Fazendo uso da mesma liberdade, resolvi que quero coisas belas no meu caminho. Quero energias de pureza, bons sentimentos, quero palavras que me edifiquem, que estejam envoltas por luz e ternura. 

Ouvi alguém gritar que sou alienado? Dou a vocês a liberdade de entenderem como alienação. Mas com a mesma liberdade me dou o direito de dizer que eu, por muitas vezes, me faço de alienado para evitar o crudelíssimo momento em que alguns pensam dialogar, mas só gritam tentando emudecer minha fala com palavrões, xingamentos, palavras amargas... Meu pai também me ensinou que o grito é a arma dos sem argumentos! O que vocês acham? Concordam? Discordam? Podemos pensar juntos, afinal, se vocês se predispõem a pensar antes de responder, isso significa que vocês são dotados de flexibilidade. Significa que neste hiato em que se formulam ideias, podemos, todos, mudar de opinião. Quem sabe assim não conseguimos buscar outras saídas para um problema sem nos agredirmos. Sem nos considerarmos imorais pelo simples fato de pensarmos diferente. 

Filtrar palavras significa nada mais, nada menos que refletir: o que vocês sentem quando falam ou escrevem? Já pensaram nisso? Vocês se sentem em paz, sentem seus corações batendo livres, serenos? Ou vocês tremem, se irritam, sentem o calor do sangue nas veias e veem alteradas suas pressões arteriais, a um passo da explosão? 

O que vocês sentem é o que vocês transmitem. Palavras carregam consigo energias que são poderosamente transmitidas. Podemos fazer viver ou matar sonhos com nossas palavras. 

Acreditar naquilo que se fala é escolha!
Desejar o bem com as palavras é escolha!
Palavra é uma escolha!

Assim, fazendo uso da palavra liberdade, que é nossa, digo: que eu tenha a sabedoria de observar mais e de falar menos, principalmente se minha voz for ferir alguém. Que minha língua seja arrancada se eu não puder usá-la para acalentar, para acariciar, para ajudar, para fazer o bem, para tornar nossa passagem por este mundo mais amena e mais poética. 

Eu não sei empunhar armas de guerra, não sei gritar para liderar no combate, não tenho convicções engessadas, não me sinto capaz de dizer ao meu próximo como ele deve viver, afinal, quem melhor que ele para tomar essa decisão?

Talvez eu tenha nascido para ser ombro ou ouvido. Não para ser língua! Isso porque se, ao falar, eu não for capaz de, minimamente, oferecer paz, que a língua se silencie e que eu me comunique através das lágrimas honestas que dos meus olhos rolam.

(Wagner Dias - 31 de janeiro de 2020)


HÁ JEITO

Há Jeito - Poema de Wagner Dias



Para os amigos que pediram, eis aqui a versão em vídeo do meu poema "Há jeito", que postei anteriormente. Espero que gostem da minha interpretação para este texto que gosto tanto!
A vocês, meus abraços,
Wagner Dias.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

RETALHOS DE VIDA



Retalhos de vida

(Wagner Dias)

Trapo rasgado
De suor maculado
Com sangue tingido
De chuva lavado
Registro indelével
Memórias, bordados...
Tergal desfiado
Retrato guardado

         (...)

E entre quedas e glórias
Uns laços de fita
Renovada alegria
De novo abro os olhos
De novo o dia
E, solenemente, 
Recolho as dores
Caminho alguns passos
Sorrio e visto
Retalhos de vida.


A todas e todos, meus abraços!

Acompanhem nossas novidades através do nosso Instagram: 

@wagnertedi

ou do nosso canal no Youtube. 



CACOS


Cacos...
(Wagner Dias)

Ando a procurar cacos...
A contar presentes vividos...
Memórias futuras, passados...
Cacos com luz decorados...
Pessoas, lugares...
Tangos ou fados.
Invento, recrio...
Sou bicho do mato...
Eu me desafio...
Espreito a presa...
Modelo esguia...
Que passa e me obriga...
Com prazer imenso...
A abrir a janela...
A enxergar tudo torto...
E a fazer poesia.


A todos e todas... meus abraços!
Wagner Dias.

Aproveitem para nos acompanhar no Instagram: @wagnertedi

Novidades também no nosso canal no Youtube.  Acesse o canal a partir do vídeo acima! 


sábado, 4 de janeiro de 2020

PASSA... TEMPO


PASSA...TEMPO...

Neste vídeo, um pouquinho dos meus desejos para 2020!
Que seja um ano de paz, alegria e de muitos sonhos realizados.
Que 2020 passe devagar... mas que seja sereno! Que possamos aproveitar cada minuto com sabedoria, saúde e alegria!
Feliz 2020!
Nas próximas postagens, algumas novidades!
Meus abraços,
Wagner Dias




domingo, 3 de novembro de 2019

SAUDADE IMACULADA


















SAUDADE IMACULADA

Resistiu ao sol, ao vento...
Entre cantos e lamentos, 
Eternizou-se no galho:
Virgem!
Bravura singela,
Delicada vida...
Saudade imaculada de tempos de luz.
Dorme agora,
À espera do renascer,
Sob o véu gélido do tempo.
Dorme agora, 
Silenciosa, inerte...
A leve noiva perfumada, 
No altar da vida abandonada, 
Sozinha e resignada,
De mais um ciclo se despede.
(Wagner Dias)

domingo, 13 de outubro de 2019

A GOTA E O MAR - LANÇAMENTO

A Gota e o Mar, de Wagner Dias e ilustrações de Magela Miranda.



O tempo voa! Em breve, 30 de outubro de 2019, completaremos dois meses do lançamento do nosso livro! As emoções continuam e, a cada dia, chegam novas fotos, novas mensagens de gente de todo o Brasil dividindo conosco as sensações sobre a leitura! 

Estou tentando responder todos os recadinhos de Facebook e Instagram. Com calma conseguirei devolver a todos os leitores o carinho que me têm oferecido. 

Gratidão é a palavra de ordem!  Vocês têm ajudado a levar minhas viagens literárias para a casa de varias crianças. Agradeço infinitamente aos colegas professores que estão adotando, e trabalhando o livro em suas escolas, além de divulgarem entre os seus pares essa historia que nos enche de emoção.  Muito, muito obrigado! 

Compartilho, hoje, com vocês algumas imagens da noite de lançamento do livro, que é uma ode à amizade, à ternura e à imaginação. 

A noite de lançamento foi muito especial, contando com homenagens a professores, reencontro com amigos queridos e sessão de autógrafos. Um sucesso! Mais de 200 exemplares vendidos numa unica noite!

Se você tem interesse em conhecer o livro, ainda é possível adquiri-lo através dos sites da editora
www.chiadobookskids.com
www.flamingoedicoes.com

ou ainda através dos sites de grandes livrarias! A livraria da Travessa tem feito um excelente trabalho! Recomendo-a!
Demora um pouquinho, pois o livro tem vindo de Portugal. Mas ele chega! ;-)

Se quiserem trocar ideias diretamente comigo ou com o ilustrador, sigam-se no Instagram: 

Wagner Dias (autor): @wagnertedi

Magela Miranda (ilustrador): @magelamiranda.arte

Teremos prazer em manter contato com vocês. 
Em breve, surpresas! ;-)

Um grande abraço,
Wagner Dias





sábado, 10 de agosto de 2019

BOOKTRAILLER: A GOTA E O MAR


Meus amigos,


O grupo editorial Chiado, através do selo Chiado Kids, e eu, temos o prazer de lhes apresentar meu livro para crianças, A Gota e o Mar, que acaba de nascer! 

A obra, que conta com aquarelas lindas do artista plástico Magela Miranda, é um convite à imaginação, à poesia e à esperança! A amizade entre dois personagens, ricos em sensibilidade, ajuda a espalhar amor pelo mundo!

Com rimas, poesias, musicalidade e diversas possibilidades de interpretação, a criança terá contato com seus mais profundos sentimentos.

Convido-os a assistir ao booktrailler!
Em breve, divulgarei as datas e locais dos eventos de lançamento. 
O livro já se encontra na pré-venda nas melhores livrarias do Brasil e de Portugal e pode ser facilmente encontrado nos sites da Editora Chiado:

www.chiadokidsbooks.com
www.flamingoedicoes.com

Sigam-nos no Instagram e recebam nossas informações em tempo real! ;-) Aproveitem e deixem suas sugestões, comentários, e opiniões sobre o livro. 

@wagnerdias
@magelamiranda.arte
@movimentomarionete

@chiadogrupoeditorial
@flamingo.edicoes

Um grande abraço meu!
Wagner Dias

quinta-feira, 25 de julho de 2019

HÁ JEITO






Há jeito

(Wagner Dias)

Não há pobreza que limite o sonho
Não há dor que impeça o pensar
Não há silêncio onde habita o desejo
Não falta força a quem decide lutar

Ninguém é tão pouco que nada tenha
Há sempre algo que se possa doar

Sorrisos se doam
Afagos se doam
Perdão se oferece
Amor se distribui

Compaixão nos iguala
Indiferença nos revela
Ressentimento nos crucifica
Ingratidão nos tortura
Ah! Mas a Inveja é quem mata!

Não há miséria mais ácida que a falta de perspectiva
Não há prisão mais segura que o conformismo
Não há beleza mais viva que o descobrir-se
Não há nobreza maior que a humanidade
Não há aprendizado sem erro
Não há experiência sem ensaio
Não há caminho sem volta

Somos interrogações
Nossas vírgulas acalmam a pressa
Parênteses nos alertam
Pontos finais nos limitam
Reticências nos eternizam

E nesse mundo de verso
Seguimos com nossa viola...
E vamos melodiando
Enquanto polimos arestas

Uns copiam refrãos
Outros compõem inéditos versos
Uns cantam a tragédia
Outros vibram a alegria
Uns ralentam compassos
Outros pulsam vida
Há também os que (se)calam

E nessa pauta de idas e vindas
De acordos e desacordos
De subidas e de descidas
Decida-se!

Entende...
Entende a felicidade
Quem descortina o espelho da alma
E percebe que o melhor do mundo,
Ali refletido,
Não é a aparente casca,
Mas o profundo invisível que habita o peito.

O homem grita, vocifera, murmura, ecoa...
Aprende...
Aprende a felicidade quem descobre
Que para os males da língua
"Ajeito".



quinta-feira, 13 de junho de 2019

O OUTRO LADO

O outro lado

Wagner Dias


Aos que correm, atenção: correr é uma tentativa desvairada de unir o ponto um ao ponto dois. Ato de quem tem pressa ou de quem se acostumou a querer ganhar tempo. Trata-se da infame competição em que os atletas se resumem a eles próprios. Trovões em busca de vida. Que vida? Não se espera o sinal, ignora-se o risco do tráfego e as milhões de cenas cotidianas cujo o palco é o paralelepípedo. Toda essa pressa para quê? Antecipar dois, três segundos? Vale realmente a pena?

De um ao outro lado da rua. "É preciso atravessar", ele pensa. "E depressa", ele decide. Os olhos voam da direita à esquerda e um ímpeto indecente o faz avançar. Começa a competição! As pernas passam a ter vida própria. E corre, e voa... Nesse voar desenfreado, deixou de ver as lágrimas de uma transeunte, passou sem notar aquele doce sorriso de criança que o mirou, não ouviu o bom dia ofertado pela vizinha. Sequer viu a vizinha. Só sentia o vento no rosto, o coração agitado, o barulho oco dos calçados tocando o chão. Sequer observou o pavimento. Não viu a moeda perdida, pisou no estrume de cachorro, não se desviou da poça d'água. Corria. Eterno e angustiante aquele momento que não se findava. Precisava ganhar a corrida contra si mesmo. Não tinha hora marcada, não estava doente, não precisava usar o banheiro... não precisava ter pressa. Não se deu conta.

Quatro segundos seria o tempo de travessia. Sem correr faria o trajeto em oito, nove, dez segundos. Não pensava em nada. Queria chegar do outro lado da rua, simplesmente por chegar. Para dizer a si mesmo que havia vencido seus próprios limites. Atleta da ignorância.

Deu-se, então, o fatídico inesperado. Torceu o tornozelo e sentiu uma dor excruciante. Tombou! Um segundo de queda. Um segundo perdido daquela maratona. Viu-se gigante abatido a apenas cinquenta centímetros do seu objetivo: o outro lado da rua. Apoiou as mão no solo no instintivo gesto de proteger o rosto e evitar bater a cabeça. Sentiu a temperatura do chão. Pela primeira vez o tocara com as mãos. Uma percepção surpreendente. Nunca sentira nos pés, protegidos por solas grossas, o calor daquele pavimento. 

Havia algo grudado na palma de sua mão. Tentou se livrar daquele papel sujo e viu que havia, ali,  palavras registradas: "Filho, mamãe te ama. Tem arroz e feijão na geladeira. Você frita um ovo? Vou comprar carne pra janta. Fique com Deus!" Provavelmente aquele era um bilhete de uma mãe trabalhadora, uma operária, diarista, ambulante, professora... uma mulher simples, mas mãe amorosa. Sentiu o amor. Pensou nos bilhetes que poderia ter escrito aos filhos, que mal viu crescer. Hoje, adolescentes. Pensou nas palavras de amor que deixou de dizer, nos possíveis dramas, nas alegrias, nas descobertas dos filhos das quais jamais soube. Em dez segundos, ele leu aquela mensagem de amor. Recebeu para si aquele "mamãe te ama". Não visitava a própria mãe há tempos. Não se importava em telefonar. Pagava a acompanhante e acreditava que tudo estava bem. Não pensou no afeto perdido, nos anos passados, na presença, no abraço. 

Alguém estende as mãos. Um jovem. Poderia ser seu filho. Mãos macias. Lembrou-se de como eram suas próprias mãos quando era jovem, de quantos brinquedos construiu, de quantos desenhos elaborou na calma serena em busca do melhor traço, das melhores cores... Desejava ser engenheiro. E conseguiu! Formou-se e correu a vida toda. Esqueceu de contemplar o mundo. Com um sorriso no rosto, aceitou a ajuda do jovem. Apoiou o joelho para se erguer. Desequilibrou-se devido à dor que persistia. Mancando, chegou ao seu destino. Agradeceu àquele jovem.

Já sentado, no primeiro banco que encontrou, mexeu o pé para um lado, para o outro, na tentativa de colocar, ele mesmo, as articulações no lugar. Percebeu que haviam sido modificadas as imagens do chão da praça, construídas com pedras portuguesas. Era um bonito dia de verão. Havia crianças brincando, acompanhadas por suas babás. Flores! Flores no canteiro central. E tinham um perfume jamais imaginado. Apoiou-se no encosto do banco. Repousou a cabeça. Fechou os olhos. Deixou o calor do sol aquecer toda a musculatura da face. Ouviu Mozart, a mesma melodia que a avó tocava quando era criança. Som melodioso e terno que vinha da loja de discos da esquina. Sentiu cheiro de pipoca e de milho cozido. Iguarias que não degustava há anos. Ouviu a conversa de jovens senhoras que passavam com suas sacolas de compras e reclamavam do preço do tomate. 

Ali, sentado, observando a orquestra movimentada de uma rua de uma grande cidade, pensou no preço da própria vida. Rememorou o momento da travessia, tentou visualizar o percurso realizado, imaginando em detalhes todos os riscos que correra. Poderia ter sido atropelado ou, quem sabe, batido a cabeça. Poderia ter se ferido gravemente, perdido a memória. E quem seria ele sem memória? De que adiantaria ter chegado do outro lado se não saberia para onde ir? Tudo por causa de míseros segundos. Com a dor amenizada, levantou-se. Comprou um sorvete. Observou a delicadeza dos pombos catando migalhas. Olhou, verdadeiramente, para dentro de si mesmo. Enfim, compreendeu que a distância entre duas calçadas é pequena demais para o tamanho da pressa. Entendeu que há um universo de vida nos paralelepípedos. Milagrosamente, constatou que não precisava chegar do outro lado da rua, mas, sim, do outro lado de si mesmo.